quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

LINUX - AS VANTAGENS DE SER LIVRE


LINUX - AS VANTAGENS DE SER LIVRE

Corporações brasileiras começam a migrar aplicações críticas para o Linux em busca de estabilidade, menores custos e maior desempenho

O sistema do pingüim, quem diria, alcança a maioridade nas corporações brasileiras. Em dezembro, a GVT, operadora de telecomunicações que atende 54 cidades nas regiões Sul, Centro-Oeste e parte do Norte do Brasil, colocou em produção um novo sistema de provisionamento de linhas telefônicas baseado no sistema operacional
Linux.

A solução Real Application Cluster, que roda com banco de dados Oracle, permite que máquinas de dois processadores Intel da Dell trabalhem no controle da rede de 700 mil linhas telefônicas em serviço na GVT como se fossem equipamentos de 12 a 16 processadores. “Trata-se de um projeto com Linux
pioneiro no Brasil, que cria uma arquitetura com maior poder de processamento e
escalabilidade”, explica Ofer Henkin, diretor executivo de tecnologia da empresa.
A ThyssenKrupp Elevadores AS, subsidiária do grupo alemão com um parque industrial localizado em Guaíba, no Rio Grande do Sul, também está operando seu portal corporativo para mais de mil usuários internos – além de clientes e fornecedores – e o sistema de conexão VPN (virtual private network) com suas 22 filiais brasileiras e o escritório regional na Espanha, igualmente baseados no Linux. “Estabilidade do sistema operacional, segurança e performance justificam a adoção do Linux como meio de suporte a setores estratégicos da companhia”, diz Marcelo Pinto de Castro, gerente de tecnologia da informação.
Esses são apenas dois exemplos que mostram que o Linux não se limita mais a áreas menos sensíveis das
corporações, como se imaginava até há bem pouco tempo. O avanço do sistema operacional aberto se dá, agora, especialmente nos ambientes de aplicações críticas. “Até 2001, o Linux se restringia a aplicações não críticas.
Mas, a partir de 2002, as empresas brasileiras passaram a usá-lo em processos críticos”, analisa o professor
Alberto Luiz Albertin, um dos responsáveis pela 14ª Pesquisa Anual do Mercado Brasileiro de Informática da FGV-EAESP, realizada com 1,4 mil médias e grandes empresas, que constata o incremento do sistema no país.
Segundo a pesquisa, o Windows possui 60% do mercado brasileiro de sistemas operacionais em servidores; o Unix, incluindo aí o Linux com 12%, responde por 30%, e a Novel fica com 7%. Os outros sistemas operacionais são responsáveis pelos 7% restantes.
As motivações dos empresários são de diversas ordens, segundo o professor Albertin. Inovação tecnológica é a razão apontada pela rede de eletrodomésticos Ponto Frio, que investe 12 milhões de reais em vários projetos, entre os quais o Sistema de Automação de Lojas Web, operando com base Linux. Performance é o caso da Editora Atlas, que está migrando todo seu ambiente de TI para a plataforma. Ou então o desejo é padronização, como realiza no Brasil o grupo francês Carrefour ao levar para o Linux toda a sua rede de PDVs.
Em um ponto as empresas concordam: o Linux tem um custo mais baixo que os outros sistemas operacionais.
Veja-se o caso da GVT: de uma tacada só, com a implantação do novo sistema de controle da malha de linhas telefônicas baseado no Linux, a operadora economizou no ano passado cerca de 500 mil reais, informa Henkin.
Não que a GVT tenha decidido abandonar todo o seu ambiente de TI montado em outras plataformas. A empresa opera hoje com 16 servidores Risc e 58 servidores Intel/Windows, mas incorporou, em meados de 2003, 11 servidores Linux, inicialmente para dar conta de sistemas menos sensíveis como planejamento de caixa e gestão de instalação. A partir de dezembro a operadora começou a utilizar o software aberto para realizar, também, processos críticos. “Neste ano vamos colocar mais um aplicativo de missão crítica – CRM (customer relationship management), billing ou até business intelligence – em ambiente Linux em cluster, que é um sistema mais tolerante a falhas e de maior performance”, adianta Henkin. Com isso, a GVT estima uma economia de recursos entre 1 milhão de reais e 1,2 milhão de reais por ano.
As empresas de telecomunicações, na verdade, estão na crista da onda com o Linux. E isso se explica, segundo Cezar Taurion, gerente de novas tecnologias da IBM, pelo maior conhecimento que as operadoras detêm do ambiente de TI, o que as torna mais capazes para resolver problemas complexos que surgem na implantação de novas técnicas. A Telemar é um exemplo de ousadia em direção ao Linux: trata-se da primeira corporação brasileira a utilizar o sistema em plataforma de grande porte. Desde outubro último, a operadora, que investe cerca de 70 milhões de reais por ano em tecnologia da informação, usa mainframe IBM zSeries com sistema operacional Linux e banco de dados Oracle como alternativa para processamento da análise e do tratamento dos dados de tarifação de seu serviço de telefonia fixa – uma fábula de 17,4 milhões de terminais distribuídos em 16 estados brasileiros.
Tudo isso era feito antes em servidores de plataforma Intel e equipamento Sun Microsystems, com processadores Risc. Com a decisão de centralizar seu processamento de dados em Belo Horizonte, a alternativa que se apresentou como melhor solução custo/benefício foi em cima de Linux. “Ao invés de crescer a plataforma de servidores Intel ou Unix, escolhemos o Linux como melhor opção para usufruir os benefícios oferecidos pelo mainframe – facilidade de operação, 100% de confiabilidade e maior segurança, o que uma plataforma distribuída não oferece”, conta Marcos Calixto, diretor de TI da Telemar. Assim, 14 servidores, totalizando 38 processadores, que estavam distribuídos em 16 estados, foram consolidados em seis processadores Linux de mainframe z Series
IFL (Integrated Facility for Linux). “Além dos ganhos de performance e produtividade, e melhor uso dos ativos, fizemos uma economia considerável”, garante Calixto.
Embora com maiores dificuldades de fazer investimentos na área de TI e, por isso mesmo, mais lentas na
implantação de tecnologias avançadas, as pequenas e médias empresas também apostam na utilização do
Pingüim como sistema operacional para servidores. A Rio Branco Distribuidora de Papéis, que atua em três
segmentos industriais (fornecimento de papéis para grandes corporações, suprimentos de informática e papéis e tintas para gráficas), com 400 empregados e um faturamento previsto para 2003 em torno de 300 milhões de reais, acha que a fase de amadorismo do Linux já acabou. Há três anos, a companhia iniciou um movimento de migração da plataforma Netware, da Novell, considerado um caminho sem volta. “Hoje, todas as nossas aplicações críticas estão em Linux”, resume Carlos Alberto Rodrigues, administrador de redes e DBA da Rio Branco.



Foi uma mudança completa de filosofia, conta Rodrigues. A empresa havia decidido transformar sua rede IP
(internet protocol) para TCP/IP e aproveitou para mudar também o sistema operacional de rede, que ainda estava em DOS, e seu ambiente de desenvolvimento Dataflex, para o Linux. O parque de máquinas, composto por 230 estações e quatro servidores, foi adequado para o novo ambiente e as aplicações (contabilidade, folha de pagamento, serviço de EDI) foram migrando gradativamente para Linux rodando com banco de dados Oracle. A empresa saiu também de uma versão do ARCserve da Computer Associates, que rodava em Netware, para Linux e incorporou outras duas soluções da CA, o eTrust Antivirus e o BrightStor ARCserve Backup, totalmente compatíveis com a plataforma livre. “O principal benefício de toda essa operação migratória é o custo”, diz Rodrigues.
Para os fornecedores de soluções não há mistério nessa expansão dentro das corporações. A IBM, segundo Taurion, tem o Linux como uma iniciativa estratégica de on demand. Atualmente, todos os produtos da empresa – de servidores a mainframes – já suportam Linux. A IBM, inclusive, conta agora com dois centros técnicos – Linux Technology Center, em parceria com a Unicamp, em Campinas, e o Linux Integration Center, em São Paulo –, inaugurados no início de dezembro, inteiramente dedicados ao desenvolvimento da tecnologia.
Para a Novell, considerada pela pesquisa da FGV-EAESP como a empresa que mais espaço perde com o avanço do Linux, não há o que lamentar. “Não somos meros expectadores e procuramos atuar junto à nossa base de clientes na oferta de outras tecnologias complementares, como distribuição de aplicativos de segurança e colaboração, independente do sistema operacional”, conta Flávio Caraccio, gerente de marketing de canais. Um exemplo, assinala ele, é o projeto desenvolvido com a Universidade de Caxias do Sul (RS), que resolveu migrar de Netware para Linux. O que parecia ser um mau negócio para a fornecedora, reverteu-se em algo lucrativo. “Com a migração, a universidade adotou várias outras ferramentas nossas que rodam na plataforma livre, além de contar com o suporte técnico para fazer o projeto”, garante Caraccio.

Fonte: www.informationweek.com.br

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