quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

GUIA PARA ENTENDER O SOFTWARE LIVRE


GUIA PARA ENTENDER O SOFTWARE LIVRE

Quando se fala em software livre, o primeiro pensamento que vem a mente da maioria dos usuários de computadores, sobretudo daqueles com menor experiência em informática, é um programa isento de taxas de aquisição, ou seja, um software grátis.
Ralphe Manzoni Jr., com colaboração de Camila Fusco
Segundo os especialistas, entretanto, igualar a definição de "livre" à de "grátis" é errônea, já que esbarra em atributos sutis que podem diferenciar os dois conceitos, como o tipo de licenciamento do programa em questão.
Sob uma definição básica, software livre é aquele que permite sua utilização por qualquer pessoa, assim como sua cópia e distribuição, na forma original ou com modificações. Esse processo pode ser gratuito ou apresentar
custos.
"A classificação mais correta para aquilo que se chama hoje de software livre seria "software de código-aberto",
ou "open source" em inglês. (...) A liberdade de copiar, modificar e distribuir o programa depende do tipo de licença que ele apresenta, e não equivale a dizer que ele é gratuito", afirma Rodrigo Stulzer, diretor de Produtos e Soluções da Conectiva, empresa que distribuiu uma versão do Linux no Brasil.
Como as principais licenças de software de código aberto atuais, Stulzer cita:
GPL - A Licença Pública Geral GNU (GNU General Public License, GPL) é a mais comum existente, e prevê que os softwares sob sua guarda estejam em código-aberto e assim permaneçam após eventuais modificações. Ou seja, se determinada empresa, usuário ou desenvolvedor for incorporar ou modificar o código, precisará liberar a versão final. A regra não vale se o software em GPL apenas se comunicar com outros programas. A GPL é a licença que acompanha os pacotes distribuídos pelo Projeto GNU, incluindo o núcleo do sistema operacional Linux.
BSD - A licença BSD elaborada pela Berkeley Software Distribution impõe poucas restrições sobre a forma de utilização, alterações e redistribuição do software licenciado. Ao contrário da GPL, ela prevê que um software modificado a partir de um código-aberto possa ser vendido, e não obrigatoriamente aberto.
Artistic License - Essa licença permite a redistribuição de arquivos binários, mas restringe a redistribuição de
códigos modificados, a fim de proteger os autores de determinado software.
EML - A Mozilla Public License apóia softwares de código-aberto, mas pode ser ligada a módulos de código fechado ou extensões. Ela exige que o software distribuído permaneça aberto, mas permite que trechos adicionais a ele permaneçam fechados.
Segundo Stulzer, vários programas podem ser obtidos gratuitamente na internet, mas podem apresentar custos adicionais, sobretudo no uso corporativo. "Uma empresa que adotar o código-aberto precisará de manutenção, de pessoas para trabalhar em cima da personalização do programa sob suas necessidades, ou seja, o software não vai sair de graça", diz, acrescentando que a economia com os softwares de código aberto gira em torno de 30%.
Licenças diferentes
Ainda sob a explicação de Stulzer, cada software pode apresentar mais de um tipo de licença. "O criador do programa precisa avaliar quais os seus objetivos. Se o objetivo é comercial, ele deve criar uma licença fechada.
Por outro lado, pode oferecer ao mesmo tempo seu software em uma licença aberta GPL - de modo a fazer que seus clientes abram também a versão modificada do programa - e uma licença fechada, para aqueles clientes que não quiserem abrir as modificações", afirma.
Um exemplo seria o conjunto de programas gráficos da Biblioteca QT, desenvolvido pela empresa norueguesa Trolltech. Os programas possuem dois tipos de licença, uma GPL, que obriga que as modificações sejam abertas também, e uma fechada e paga, para os usuários que quiserem utilizar e modificar o software, mas não revelar a versão final. Outro exemplo de programa com dois padrões é o MySQL, que leva uma licença GPL e também uma comercial.
Stulzer lembra ainda que pelo direito internacional, qualquer programa criado atualmente já está protegido pelos direitos autorais. Antigamente era necessário que o autor escrevesse um artigo detalhando que determinado material era de sua propriedade intelectual.
"Hoje basta o criador do software escrever no cabeçalho de seu programa, por exemplo, o tipo de licença que utiliza. Mesmo que ele crie um programa de código-aberto, continuará a ter direitos sobre ele", diz o especialista.
Uma dica de Stulzer é que os desenvolvedores consultem o máximo de informações possíveis sobre licenças, para que possam escolher uma que seja mais adequada às suas necessidades. "A internet é uma das melhores fontes para isso", diz.
Entre os sites úteis estão:
http://www.opensource.org
http://www.faqs.org/docs/artu/ch19s05.html
http://www.softwarelivre.gov.br/Licencas/
Fonte: http://idgnow.uol.com.br/



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