quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

A certificação resolve?

A certificação resolve?
Provedores de outsourcing discutem as oportunidades criadas pela certificação CMMi. Aceitam o MPS.Br (o selo nacional), mas não acreditam na sua eficácia internacional, e dizem que, apesar dos avanços, a certificação é mais um argumento de venda e, sozinha, não soluciona todos os problemas do mercado brasileiro.
Por: Jackeline Carvalho e Edileuza Soares
O mercado brasileiro de outsourcing vem numa corrida desenfreada pela certificação de qualidade, principalmente o selo CMMi, para acompanhar a concorrência internacional e a demanda gerada por grandes clientes. Porém, mundialmente, cresce o número de casos de insatisfação das empresas com os seus projetos de terceirização total ou parcial da produção, manutenção e operação do departamento de tecnologia da informação, principalmente pela dificuldade de comprovação de resultados. No 2º Encontro TI Inside Inovação, reunimos consultores e prestadores de serviço para debater a questão e, como resultado, constatamos: a certificação não basta.
Estiveram no encontro: Descartes Teixeira, representante do ITS (Instituto de Tecnologia de Software) e da Softex; Flavio Grynszpan, coordenador do capítulo Brasil da IAOP (Associação Internacional de Profissionais de Outsourcing); Bruno Guiçardi, diretor de operações da Ci&T; Hiraclis Nicolaidis Jr, diretor de tecnologia da Politec; e Carlos Alberto Caram, diretor executivo da América do Sul, da ISD (Integrated Systems Diagnostics).
TI Inside: O Brasil vem trabalhando a metodologia de qualidade MPS.br, uma proposta paralela ao CMMi e a alternativa nacional para viabilizar a qualidade dos serviços. Vocês acham que esta alternativa coloca as
empresas brasileiras no mercado internacional ou foi criada simplesmente para que as empresas
começassem a pensar em qualidade?
Hiraclis Nicolaidis Jr: Refletimos sobre isso na hora decidir se valeria a pena fazer a certificação em MPS.br e concluímos que precisamos participar de qualquer iniciativa séria de qualidade no País. Tanto como forma de mostrar o comprometimento para o resto do mercado quanto para trazer sempre algo novo. Mas, nesse momento, dizer ‘eu sou MPS.br nível A, Curumim 3, ou Saci 27’, não faz soar nenhum sino na cabeça dos compradores internacionais.
Com certeza inicia ou acelera uma jornada de melhoria de qualidade de processos dentro das empresas que, no futuro, podem pensar em CMMi ou, efetivamente, em melhorar seus produtos.
Basicamente, não vimos grandes diferenças entre as duas certificações. São 5 níveis no CMMi e 7 níveis no caso do MPS.br, sendo que os dois primeiros, os mais dolorosos, tornaram a certificação um pouco mais factível.



Bruno Guiçardi: Na verdade, é uma jornada. O MPS.br está completamente alinhado com o CMMi. Porém, não há a menor possibilidade dele se tornar um padrão internacional, porque é um negócio inventado no Brasil. Os compradores não sabem o que é e não têm o menor interesse em saber.
TI Inside: Nem no Mercosul ou na América Latina?
Bruno Guiçardi: Esses caras são compradores minúsculos perto dos mercados europeu, americano e japonês. O Uruguai vai comprar o que da gente? Pode comprar alguns milhares de dólares por ano, mas é muito pouco. Talvez seja uma referência para o Cone Sul, mas para provedores de serviços, não para compradores. Como referência para compradores, no máximo será o MPS.br alinhado ao CMMi, uma espécie de 1.5 ou 1.75.
TI Inside: A C&IT adotou o MPS.br?
Bruno Guiçardi: Não. Já éramos CMMi 3 e estávamos no esforço para CMMi 4, quando surgiu o MPS.br. Achamos que seria um esforço que só compensaria em caso de licitações públicas que exigissem o MPS.br. Mas não atuamos no mercado do governo, nosso foco é o mercado internacional.
Carlos Caram: Não se pode perder a perspectiva do porquê as empresas investem em qualidade, os objetivos de negócio. Sempre que uma empresa escolher um programa de melhoria de qualidade, haverá duas perspectivas: a de negócios e o próprio modelo em si, no sentido de adaptá-lo a uma realidade própria. Empresas que atuam ou que aproveitam os benefícios de diversos modelos, certamente têm alguma razão envolvida. Eu também não vejo o MPS.br tendo algum fator de decisão no mercado internacional, até porque, mesmo o CMMi, demorou muito tempo para ser considerado uma referência e ainda não tem representatividade em todos os países, ele é menos requisitado na Europa do que nos Estados Unidos, por exemplo.
Descartes Teixeira: Estamos pelo menos 10 anos atrasados em termos de qualidade. Mas os altos custos internos e externos para se ter a certificação assustaram muita gente, porque 90% de nossas empresas são de muito pequeno porte. Assim, engendramos soluções alternativas, a formação de cooperativas de empresas e o MPS.br.
Esta cartilha foi criada para afinar o mercado nacional com o internacional. Jamais será um modelo global, dado que o CMMi está se tornando uma realidade. O CMMi veio para se tornar uma referência na área de processo, como foi a ISO no passado, integrado inclusive aos demais processos da empresa.
Por outro lado, o MPS.br já é aceito por alguns órgãos públicos brasileiros. Os Correios e o Supremo Tribunal Militar e etc.

Fonte de Pesquisa : TI Inside

Nenhum comentário:

Postar um comentário