quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

Nanotecnologia avança no país por meio do empreendedorismo de uma mulher

Milhares de pesquisadores e cientistas descobrem todos os dias como utilizar a nanotecnologia para o desenvolvimento dos mais diversos produtos, tornando-os melhores e mais produtivos. Mas o principal desafio é colocar essa tecnologia ao alcance dos consumidores, como vender os nanômetros?
Viviane Ferreira, empresária e diretora da HEWE Eventos, enxergou a possibilidade e se infiltrou no mundo dos cientistas trazendo-os para o universo corporativo. “Sou empreendedora por natureza, construí minha carreira colocando frente a frente negócios B2B e B2C. Um dia, pesquisando sobre eventos no mundo, descobri a nanotecnologia. Com um olhar mais atento percebi possibilidades enormes de negócios entre pesquisadores e as indústrias, resolvi investir”, completa Viviane.
Após organizar diversas missões empresarias para eventos internacionais e os pesquisadores entenderem que para vender nanotecnologia é preciso simplificá-la, torná-la palpável, transformá-la em algo real, como um tecido que não suja nunca e nem fica com odor, transformá-la em uma panela que acondiciona alimentos e os preserva por mais de 30 dias sem que os mesmos se estraguem, foi preciso aplicá-la em uma faca, transformando seu fio em autoafiador, quanto mais corta mais se afia, ou em uma cama de cachorro que repele pulgas e carrapatos, e até mesmo em um aparelho de dentista que faz operações, como canais, sem uso de anestesia e de maneira indolor, tudo isso para apenas exemplificar para as indústrias como a nanotecnologia pode tornar o dia a dia do consumidor mais prático e produtivo.


Mas foi preciso ir além da aplicação, colocar frente a frente, ciência e indústria, encurtando o caminho que leva a nanotecnologia às prateleiras do comércio. Com este conceito estabelecido entre os pesquisadores, Viviane articulou com todos os interessados em promover a tecnologia no Brasil e, com apoio dos laboratórios, das indústrias, do governo por meio do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, das universidades, e órgãos como o Sebrae, que possuem programas e interesses na área, além da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial - ABDI, da Associação Brasileira das Instituições de Pesquisa Tecnológica e Inovação - ABIPTI, da Associação Nacional de Entidades Promotoras de Empreendimentos Inovadores - ANPROTEC, da API.NANO – Arranjo Promotor de Inovação em Nanotecnologia, do CONFAP – Conselho Nac. Das Fund. Estaduais de Amparo à Pesquisa, do CONSECTI – Conselho Nac. De Secretários Estaduais para Assuntos de CT&I, da FUNDACAO CERTI - Fundação Centro de Referência em Tecnologias Inovadoras e do Instituto de Pesquisas Energéticas Nucleares – IPEN, criou a Nano TradeShow e a Conferência Internacional de Nanotecnologia e Inovação, que juntas contaram com mais de 1.729 participantes, de todas as áreas industriais, além de start-ups e investidores interessados em investir na produção em massa dos produtos expostos.
“O contraponto do encontro de nanotecnologia no Brasil, o primeiro de uma série que será realizada anualmente no país, foi a possibilidade dos pesquisadores venderem suas ideias, seus projetos e protótipos, uma oportunidade de participarem efetivamente da transformação de um conceito/projeto em algo vendável, e que em breve estará aplicado em todas as residências, nas roupas, nos utensílios, na medicina”, etc. Já em sua primeira edição a feira oi responsável pelo movimento de R$ 11 mi em volumes de negócios realizados.
Um bom exemplo das possibilidades de se trabalhar com nanômetros foi apresentado pela cientista brasileira, Priscila Monteiro Kosaka, 35 anos, doutora em química e integrante do Instituto de Microeletrônica de Madri, na Espanha, que apresentou durante a Conferência um nanosensor capaz de detectar o câncer antes mesmo dos sintomas iniciais. A tecnologia desenvolvida pela brasileira é capaz de identificar o biomarcador da doença. Dessa forma, ao ser usado em uma amostra de sangue de um paciente que tenha câncer, o sensor captura a proteína biomarcadora.
Isso tudo quer dizer que com um simples exame de sangue será possível detectar células cancerígenas antes de qualquer sintoma inicial. A técnica, que se mostrou eficaz e segura com taxa de erro de 2 a cada 10 mil casos, tem previsão de chegar no mercado em até dez anos,  outra expectativa deste projeto é que também seja aplicado para identificar hepatites e testar sua eficácia para biomarcadores da doença de Alzheimer.
Atualmente o país já têm protótipos e produtos desenvolvidos com a tecnologia, desde alimentos nanotecnológicos, como por exemplo, um suco produzido com Omega 3 aplicado por meio da nano e que não tem gosto de peixe, até linhas de cosméticos, panelas, carpetes, produtos veterinários, tratamentos dentários, maçanetas que não aderem bactérias, produtos para recuperação de riscos no motor de automóveis, palmilhas que absorvem até 40mls de água / suor, perfuradores feitos com diamante para a indústria petroleira, entre tantos outros, que precisam apenas de um impulso dos investidores para chegarem às prateleiras.
Um segmento, que segundo estimativa da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), deve movimentar aproximadamente US$ 3 trilhões até 2018 no mundo todo. A expectativa para o ano de 2015 é que o mercado global de produtos contendo nanotecnologia alcance 2,6 trilhões de dólares, 2,5 vezes mais do que a previsão que se fez em 2008 para o ano de 2015.
No Brasil, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) instituiu a comissão interna de nanotecnologia em agosto de 2014. Já com base em dados do MC&T de 2010, existem no país cerca de 150 empresas que desenvolvem algum produto ou prestam serviços referentes à nanotecnologia, especializadas na produção de nanomateriais, como nanopartículas, com foco na fabricação de produtos intermediários, entre os quais revestimentos e tecidos, e companhias que visam o consumidor final e se dedicam a produtos dos ramos de cosméticos e roupas, entre outros segmentos. Ainda segundo pesquisa feita pela Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan), em 2010 o país já somava cerca de R$ 115 milhões em produtos feitos a partir da base nanotecnológica.
Hoje, Viviane Ferreira é a mulher que está à frente do principal evento nanotecnólogico do país, conduzindo centenas de cientistas e laboratórios ao comércio dessa tecnologia, que atualmente é comparada a uma nova revolução industrial devido à abrangência de aplicações que trazem enormes avanços, principalmente pela maior eficácia devido às propriedades físicas e químicas dos materiais nanoestruturados.
Em 2016, a Nano TradeShow será realizada em Novembro, e trabalhará com o objetivo de aproximar cada vez mais a relação academia x indústria, a grande questão para a evolução da nanotecnologia e inovação no Brasil.

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